Os indígenas de Dourados estão sofrendo com falta de água em meio a pandemia do coronavírus
Os indígenas de Dourados, Mato Grosso do Sul São sofrendo com faltas de alimentos e de água.
Mais de 18 mil indígenas vivem ali, é o maior local que concentra a reserva indígena.
"Em tempos normais, nós, povos indígenas já sofremos com algumas carências de políticas públicas como saúde e educação e qualidade, saneamento básico, coleta de lixo. A própria falta de demarcação dos territórios indígenas, que é o caso de Dourados, Mato Grosso do Sul, além da falta de políticas para geração de emprego e renda nos territórios indígenas. Na região do Cone Sul, como é o caso de Mato Grosso do Sul, as comunidades são muito próximas dos centros urbanos. Em Dourados, aldeia é próxima da cidade, então tem um trânsito constante de pessoas da aldeia na cidade. Muita gente trabalha na cidade.
A enfermeira relata estratégias de mobilização comunitária e conteúdos informativos para orientar a população indígena de Dourados sobre a pandemia. "Como profissional de saúde, temos trabalhado com as lideranças, o controle social, as organizações locais para o fomento e a disseminação de informação frente ao Covid-19. Temos tentando informar à comunidade, para que a informação chegue às casas sobre o que essa doença causa, formas de transmissão, o que fazer para se precaver. Temos tentado que a informação chegue às casas das comunidades, embora a gente saiba que muitas famílias não têm acesso à água. Uma parcela muito grande tem dificuldade de acesso à água. Às vezes, a água chega uma vez por semana, três ou quatro vezes por semana. Às vezes, está disponível só num período do dia: chega de manhã, mas não chega à tarde e à noite. Isso tem gerado muita preocupação e a gente tem pautado com gestores sobre essa dificuldade. A gente precisa que haja esforço coletivo da rede para que as comunidades indígenas não sejam tão penalizadas na pandemia", acentua.
Em relação à assistência de saúde, Indianara Guarani Kaiowá considera que esta precisa estar coordenada com um conjunto de políticas públicas para ter efeito nas aldeias indígenas. "Hoje, nós temos um plano de contingência COVID-19 nas comunidades indígenas, porém, temos problemas crônicos que afetam as nossas comunidades. Precisamos que ações emergenciais sejam realizadas para que minimizem o impacto nas comunidades. Temos trabalhado a disseminação de informação nas casas e nas comunidades, para que se empoderem sobre assuntos relacionados à doença. A orientação basicamente de agentes de saúde é para que as comunidades evitem ir para a cidade. Caso necessite ir para a cidade, que vá somente uma pessoa", informa.

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